• Carlos Guglielmeli

Única e em uso no Brasil, quem realmente pagou pela CoronaVac?

O começo da vacinação contra coronavírus no Brasil nesta semana deu início a novas acusações e politização entre o governo federal em defesa do presidente Jair Bolsonaro e João Dória, governador de São Paulo, possíveis adversários nas eleições 2022 pela presidência da república.


No centro da contenda atual, a paternidade da CoronaVac.

Foto: Reprodução

No domingo (17), por ocasião da aprovação dos imunizantes de Oxford / AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a CoronaVac, desenvolvida pela chinesa SinoVac em conjunto com o Instituto Butantan, Pazuello e Dória disputaram quem pagou pela única vacina já em solo brasileiro.

Ministro da Saúde Eduardo Pazuello diz que Governo Federal quem pagou pela CoronaVac / Foto: Correio Brasiliense

Irritado com o início imediato da vacinação em São Paulo, que de certa forma mandou o recado para o Brasil de que Dória é o responsável pela chegada do único e primeiro imunizante contra a Covid-19 no Brasil, Pazuello disse:


"Essa é uma questão jurídica, não vou responder isso agora porquê é a justiça que tem que definir. Como foi feito a entrega sem ter sido feita a liquidação em nossos depósitos, para depois a distribuição para o estado? Isso é uma questão que eu não posso responder nesse momento, é uma questão que sai, vai para o lado do contrato. tudo o que tem em São Paulo, no Butantan é contratado e pago pelo Ministério da Saúde, pago pelo SUS, pago pelos senhores."


Governador de São Paulo, João Dória chama Pazuello de mentiroso e diz que União não investiu na CoronaVac / Foto: R7

A resposta do governador João Dória veio minutos depois, ao lado de Mônica Calazans, enfermeira da linha de frente no atendimento à pacientes com Covid-19 em São Paulo e primeira brasileira a ser vacinada:


"Ministro, ministro Eduardo Pazuello, é inacreditável como um ministro da saúde, sem o menor zelo com a saúde, sem ser médico, sem ter conhecimento nenhum da saúde, sem planejamento, um desastre completo na saúde ainda mente ao dizer isso. A vacina do Butantan só está em São Paulo e no Brasil porque foi um investimento do estado de São Paulo ministro. Não há um centavo até agora, até agora, do governo federal para a vacina. Nem para o estudo, nem para a compra, nem para o pesquisa, nada. Chega de mentira ministro."


Mas quem pagou pela pesquisa e pela vacina Coronavac?


Um ponto que deve ficar pacífico é que, tanto a pesquisa quanto a comprada da vacina foram pagas com dinheiro dos contribuintes brasileiros. Mesmo orçamentos estaduais recebem recursos redistribuídos pela União para complementar suas arrecadações. Então o que Dória e Pazuello / Bolsonaro podem reivindicar é a tomada de decisão de investir dinheiro no imunizante.


Sobre a pesquisa, a CoronaVac foi desenvolvida com recursos da empresa chinesa Sinovac e do Instituto Butantan, cujo orçamento está ligado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.


O governo federal investiu seus recursos para auxiliar nas fases de teste de outro imunizante, o da Oxford-AstraZeneca, por intermédio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde.


Houve, uma reunião entre o Ministério da Saúde e a Fundação Butantan no dia 20 de outubro para a negociação de um convênio. Na época Pazuello chegou a anunciar o investimento e a intenção de comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, porém ele foi desautorizado horas depois pelo presidente Jair Bolsonaro. A notícia do anúncio, inclusive, foi retirada do site do governo.


Na segunda-feira (18), bolsonaristas passaram a divulgar um Print do Diário Oficial de 24 de dezembro, onde foi publicado o convênio 905690/2020 entre o Governo Federal com o Instituto Butantan, dizendo que aquela era a prova do investimento de R$ 80 milhões do governo Bolsonaro para a compra do imunizante.

Print do Diário Oficial da União de 24/Dec/2020

Foram logo desmentidos, além do fato de que a vacina já estava no Brasil quando o convênio foi publicado e de que o mesmo não tem um centavo liquidado, o objetivo dele é a construção futura de um parque fabril para a vacina.


De fato, após a antecipação de João Dória chamar a atenção e o Governo Federal praticamente "expropriar" a iniciativa, a União passou a ser o cliente único das doses produzidas pelo Instituto Butantan, que serão 100% incorporadas ao Programa Nacional de Imunização (PNI). Das 100 milhões de doses previstas, 6 milhões já foram distribuídas para os Estados.


Para concluir a abstinência de recursos empenhados pela gestão Bolsonaro para a compra da CoronaVac, em resposta a um questionamento da BBC News Brasil, o governo federal divulgou nota na segunda-feira afirmando que "o valor será pago quando a totalidade das 100 milhões de doses, bem a nota fiscal referente aos insumos, forem entregues ao Ministério da Saúde".

Print do convênio entre o Governo Federal e o Instituto Butantan

Conclui-se do enredo então, que nenhum dos entes federativos, pagou pela vacina, mas que foi o governo paulista de João Dória quem planejou, teve a iniciativa e ajudou a financiar o desenvolvimento da CoronaVac.

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