• Carlos Guglielmeli

Marcelo Odebrecht diz que Lula e Dilma sabiam dos pagamentos de propina


O depoimento do empresário Marcelo Odebrecht foi revelado pelo Site “Antagonista” nesta quinta-feira (23/03).

No âmbito do da ação que apura o suposto abuso de poder político e econômico da chapa Dilma / Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o executivo disse que 80% dos recursos do Departamento de Obras Estruturadas, mais conhecido como departamento de propinas, em 2014 foi para a campanha presidencial.

Segundo o delator, a empresa teve uma relação intensa com os governos Lula e Dilma, o que gerou expectativa nas doações. Em 2014, segundo Odebrecht, foram disponibilizados R$ 150 Milhões para a campanha de Dilma, dos quais R$ 50 Milhões foram definidos como contrapartida da MP (Medida Provisória) 470, um “refis” que beneficiou a construtora em meio a crise de 2009.

O empreiteiro disse que os primeiros R$ 50 Milhões haviam sido solicitados pelo ex-ministro de Lula, Guido Mantega, para a eleição de 2010, mas que Guido acabou não se envolvendo na campanha e deixou o recurso para 2014.

No depoimento também consta que Palocci quem fazia a maior parte dos pedidos de dinheiro e que Mantega assumiu esse papel definitiva apenas em 2011. Nas linhas o empreiteiro disse que mais de R$ 300 Milhões foram colocados a disposição do PT e retirados pelo mesmo.

Sobre esses valores, foi entregue uma planilha de controle dos fundos em propinas direcionados ao PT, nela o codinome “Amigo”, que Marcelo ratificou se tratar de Lula, tinha um saldo de R$ 15 Milhões e foi regredindo, segundo ele, a partir do momento que os valores eram gastos com o ex-presidente. A MP 470 seria a comprovação dessa relação promiscua.

Sobre a campanha de 2010, Marcelo Odebrecht disse que todos os pedidos de doações foram feitos por Lula e Palocci e que Dilma não se envolveu nessa, mas sobre a de 2014 a afirmação foi de que a ex-presidente sabia de tudo e participou diretamente da distribuição dos recursos, por meio de João Santana, Palocci e Edinho.

Questionado se a “reserva de propinas” administrada inicialmente por Palocci e depois por Mantega era para o PT, Odebrecht disse que era para a presidência.


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