• Carlos Guglielmeli

“Generosidade” do MP com os irmãos Batista da JBS recebe críticas de juristas


Só do BNDES, entre 2007 e 2010, a JBS recebeu mais R$ 8 Bilhões de investimentos "generosos", com juros abaixo do mercado, aprovações em tempo recorde e sem as garantias exigidas normalmente nesse tipo de transação.

Abastecida pelo dinheiro público brasileiro, a JBS comprou gigantes internacionais e hoje mais de 60% dos seus negócios estão no exterior, distantes do alcance da justiça nacional e suficiente para manter os criminosos confessos, Joesley e Wesley Batista, vivendo suas vidas de milionários.

Em contrapartida, o acordo de delação dos executivos da JBS, elaborado pela PGR e homologado pelo ministro Edson Fachin do STF, parece seguir a mesma proporcionalidade de generosidade do BNDES com a empresa.

Juristas espalhados pelo Brasil estão se manifestando contra o que chamam de “perdão incondicional e desproporcional”, segundo eles, esse acordo dá sinais de que com a justiça que temos no Brasil hoje, o crime compensa sim e muito.

No acordo, os executivos da JBS, Joesley e Wesley Batista, não vão cumprir um único dia de pena restritiva, vão poder viajar para o exterior ilimitadamente e vão pagar uma “gorjeta” de multa no valor de R$ 110 Milhões cada um, parcelados em 10 anos.

O prejuízo causado pelas transações entre fundos de pensões e BNDES com a JBS já superam os R$ 3 Bilhões, é o que estima o TCU até aqui.

O Ibradd (Instituto do direito de defesa) protocolou nessa segunda-feira, 22/05, no STF, um mandato de segurança com pedido de Liminar que casse a decisão do ministro daquela corte, Edson Fachin, de homologar o acordo como está.

Segundo o presidente do Ibradd, Dr. Roberto Parentoni, “essa homologação é contrária a tudo o que vinha sendo visto na Lava Jato” e completa dizendo as condições desse acordo denigrem a imagem de todo estado democrático de direito e vai contra os conceitos de razoabilidade e os interesses públicos.


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