• Carlos Guglielmeli

Suspeição de Gilmar Mendes não deve dar em nada


Mesmo que, nos bastidores, alguns ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) reprovem algumas atuações do colega Gilmar Mendes, o pedido de suspeição contra o magistrado feito pelo procurador geral da república, Rodrigo Janot, não deve seguir adiante.

Mendes insistiu duas vezes até que libertou da cadeia o empresário Jacob Barata Filho. Sua isenção para atuar no caso foi posta em “check” pelo fato do ministro ser padrinho de casamento da filha do acusado, de sua esposa trabalhar no escritório que defende o liberto e de seu cunhado ser sócio do empresário.

O corporativismo no STF (Supremo Tribunal Federal) não deve permitir que, mesmo achando o certo a ser feito, nada seja feito. Para os ministros isso abriria precedentes para que outros ministros fossem questionados em outros casos.

As visitas de Gilmar Mendes ao presidente Temer, principalmente depois de sua atuação decisiva na absolvição da chapa Dilma/Temer, vem constrangendo vários outros membros da suprema corte, mas eles devem preferir não confirmar oficialmente a possibilidade de corrupção na mais alta corte do judiciário nacional.

A presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, tem um dilema a resolver, se contamina sua imagem e ignora o pedido de Janot e o arquiva ou leva o assunto para o plenário e divide o constrangimento com os colegas.

De uma maneira ou de outra, é quase certo que Gilmar Mendes vai continuar atuando no caso do pai de sua afilhada de casamento, cliente da empresa onde sua esposa trabalha e sócio do seu cunhado.


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