• Carlos Guglielmeli

Escola de Samba campeã de São Paulo em 2018 deve mesmo sair da segunda noite de desfiles


Esperada pela grande torcida, a Gaviões da Fiel entrou na avenida com grandes carros, alegorias densas e um samba que não empolgaram tanto aqueles que, por assim dizer, não eram fieis.

Samba-enredo na ponta da língua do público mesmo foi o da X-9 Paulistana, recém chegada do grupo de acesso. Com ditados populares, frases fáceis e muita alegria a X-9 não deve disputar o título, mas também não deve perder sua vaga no grupo especial.

O grande duelo ficou mesmo entre a Vai-Vai, Dragões da Real, Império de Casa Verde e Mocidade Alegre. Os comentaristas contratados pelas TVs e veículos de comunicação de massa estão unânimes em dizer que a campeã desta ano sai desse grupo.

Homenageando a obra de Gilberto Gil, a Vai-Vai também trouxe para a avenida um pouco da história do Brasil com suas crenças religiosas, com referências à Nossa Senhora, à Igreja Católica com suas alas de freis, freiras, cardeais e até pagadores de promessas.

Sobre as diversas fazes da arte de Gil, que obviamente eram influenciadas pelo seu momento da vida, a Vai-Vai não esqueceu da cultura, lembrando do Sítio do Pica-Pau Amarelo e do tempo da ditadura com o Exílio.

Nos últimos tempos, sempre na disputa pelo título e vice-campeã do ano passado, não foi novidade ver a Dragões da Real entrar no Anhembi com uma belíssima apresentação.

Fazendo uma homenagem aos sertanejos, o samba-enredo da Dragões foi um dos melhores e mais cantados pelo público.

Ousada e muito alegre a escola de samba levou para a avenida criação de galinhas, plantações, famílias caipiras e uma conexão entre as alas fantástica, a exemplo da continuação da história contada pela comissão de frente feita pelo abre-alas. É sob o olhar dessa redação a favorita.

Fugindo das homenagens tão usadas no carnaval, a Império de Casa Verde levou para a avenida a Revolução Francesa e o musical “Os Miseráveis”.

Marca do carnavalesco Jorge Freitas, o cuidado e o luxo das alegorias da casa verde mostraram para o público a riqueza dos fidalgos e o contraste das mazelas do povo.

Cavalos Gigantes, bailes da nobreza, a pobreza do povo, os símbolos de cada uma dessas realidades foram muito bem apresentados por carros alegóricos e fantasias minuciosamente perfeitos. Até uma decapitação era feita na comissão de frente, um efeito que deu muito certo.

A Mocidade Alegre está definitivamente no páreo pelo título, dividiu sua homenagem à cantora Alcione entre sua vida e sua terra natal São Luiz do Maranhão.

Impecável, a escola de samba chamou a atenção por suas fantasias e alegorias que levaram para a avenida o colorido da cultura e da culinária maranhense.

Não podendo ser diferente, a bateria do mestre Sombra, com suas paradinhas coreografadas deixou a plateia em absoluto êxtase.

Literalmente sobrou show nessa segunda e última noite de desfile das escolas de samba em São Paulo em 2018.


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