• Carlos Guglielmeli

Os mais atingidos pela delação de Palocci devem ser mesmo os ex-presidentes Lula e Dilma


Em setembro de 20017 o ex-ministro de Lula e Dilma deu um dos depoimentos mais emblemáticos da Lava Jato. Preso a dois anos, Antônio Palocci assumiu ter cometido crimes de corrupção e se colocou à disposição da justiça para falar muito mais, “tanto que daria mais alguns anos de trabalho para a operação”.

Ali estava uma oferta de delação premiada das mais temidas pelos petistas, a primeira de um membro do auto escalão do PT, justamente o mais próximo aos ex-presidentes.

Mais de sete meses depois a Polícia Federal (PF) diz que os documentos apresentados pelo ex-petista são suficientes para comprovação de crimes, abertura de novas investigações e prisões, por isso assinou o acordo de delação e espera sua homologação da justiça.

Os termos desse acordo, benefícios e provas apresentadas, são mantidos em sigilo, porém o depoimento do ex-ministro a Moro dá sinais de que, entre outros políticos, deve complicar ainda mais a vida de Lula e trazer Dilma para o centro dos crimes de corrupção.

O ex-presidente deve mesmo ser o político mais citado pelo colaborador. Palocci relatou a Moro um "pacto de sangue de R$ 300 milhões" entre Lula e a Odebrecht. De acordo com o ex-ministro, a empreiteira temia que a Presidência de Dilma Rousseff se tornasse um entrave nas suas relações com o governo federal. Por isso, Emílio Odebrecht teria oferecido um "pacote de propina" a Lula em seus últimos dias no poder.

“Emílio (Odebrecht) abordou ele (Lula) no final de 2010, não foi pra oferecer alguma coisa doutor, foi pra fazer um pacto, que eu chamei de pacto de sangue. Envolvia um presente pessoal que era um sítio, envolvia o prédio de um museu pago pela empresa, envolvia palestras pagas a R$ 200 mil, fora impostos, combinadas com a Odebrecht. E envolvia uma reserva de R$ 300 milhões” disse Palocci em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro.

Mediador da relação entre PT e Odebrecht, Antônio Palocci era o operador da "conta amigo" no sistema de propinas da construtora que supostamente beneficiava Lula. Dessa conta, teriam saído recursos para palestras do líder petista e doações ao Instituto Lula. Segundo o delator, o ex-presidente sabia do loteamento das diretorias da Petrobras para partidos políticos e inclusive recomendava que os diretores encaminhassem "reservas partidárias", “somente entre o fim de 2013 e o início de 2014, a empreiteira repassou R$ 4 milhões para cobrir um rombo nas contas do Instituto Lula” disse ele.

Entre suas declarações, Palocci afirmou que Dilma conhecia o esquema de corrupção entre o PT e empreiteiras, inclusive era uma das beneficiárias e gestoras dos acertos.

Diante de Moro, o ex-ministro citou assuntos supostamente discutidos na presença da petista que só se desenrolaram com sua participação direta. Um desses episódios teria ocorrido em 2010, quando ele desse ter se encontrado com Lula, Dilma e José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, para debater os contratos de exploração do pré-sal. Na ocasião, o ex-presidente teria afirmado que "gostaria de usar os projetos da estatal para financiar a campanha dessa companheira aqui (Dilma), que eu quero ver eleita presidente do Brasil".

Palocci também mencionou que Dilma esteve em reuniões com Emílio e Marcelo Odebrecht discutindo a participação da empreiteira em obras da União. Nas palavras do ex-ministro, a campanha à reeleição da petista foi marcada pelo uso de doações eleitorais oficiais para esconder o pagamento de propina.


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