• Carlos Guglielmeli / Imagem: reprodução

Cuba resolve levar seus médicos embora e vagas devem ser preenchidas por brasileiros


Em nota divulgada nesta quarta-feira (14), o governo cubano informou que está se retirando do programa Mais Médicos do Brasil após declarações, segundo eles, "ameaçadoras e depreciativas" do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que anunciou mudanças no projeto. O convênio com o governo cubano é feito entre Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Cuba tomou a decisão de solicitar o retorno dos 11 mil médicos, que dizem ter trabalhando hoje no Brasil, depois que Bolsonaro questionou a preparação dos especialistas e condicionou a permanência no programa "à revalidação do diploma", além de ter imposto "como via única a contratação individual" direta com os cubanos, não com seu governo.

"Diante desta realidade lamentável, o Ministério da Saúde Pública (Minasp) de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim comunicou a diretora da Organização Panamericana da Saúde (Opas) e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa", anunciou a entidade Cubana.

Em resposta, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou, logo depois do anúncio do governo cubano, que exigiu a aplicação de "teste da capacidade" para oferecer "salário integral" aos profissionais cubanos, uma vez que parte dos salários é destinada ao governo local. "Infelizmente, Cuba não aceitou", disse o presidente.

O programa Mais Médicos tem 18.240 vagas, das quais 8.332, não 11 mil como disse o governo de Cuba, são preenchidas por cubanos. Esse número total está distribuído em 4.058 municípios, que correspondem a 73% das cidades brasileiras. Quando são abertos chamamentos de médicos para o programa, a seleção segue uma ordem de preferência: médicos com registro no Brasil (formados em território nacional ou no Exterior, com o diploma revalidado no país), médicos brasileiros formados no Exterior, e médicos estrangeiros formados fora do Brasil. Após as primeiras chamadas, caso sobrem vagas, os médicos cubanos são convocados.

Para preencher as vagas dos cubanos, o Ministério da Saúde divulgou que vai abrir Edital de Convocação para médicos brasileiros. Além disso a pasta estuda outras medidas para ampliar a participação de nacional no programa, como a negociação com alunos formados através do Fies.

Essas soluções estão sendo sugeridas pelo governo Temer e serão avaliadas pela equipe de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro.


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