• Carlos Guglielmeli

Bolsonaro questiona Comissão da Verdade e chama a discussão sobre documentos da ditadura de Balela


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) questionou nesta terça-feira (31) as descobertas da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que apontou crime contra a humanidade na ação do regime militar no Brasil. Segundo ele a discussão sobre os documentos que registram assassinatos cometidos por agentes do regime é uma “Balela”.

"A questão de 64 não existem documentos se matou ou não matou, isso aí é balela, está certo?", respondeu Bolsonaro a repórteres quando saía do Palácio da Alvorada, ao ser questionado sobre declaração dada no dia anterior a respeito do pai do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz.

De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, pai do presidente da OAB, foi visto pela última vez em fevereiro de 1974, quando foi preso no Rio de Janeiro por agentes do DOI-Codi.

"Comissão da Verdade? Você acredita em Comissão da Verdade?", indagou Bolsonaro, ao ser questionado sobre os documentos da CNV que apontam o desaparecimento do pai do presidente da OAB.

Em buscas feitas pela família, os militares negaram diversas vezes a prisão de Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, pai do presidente da OAB, porém, durante as investigações da CNV foi encontrado um relatório do Ministério da Aeronáutica, feito na década de 1990, em que informava o Ministério ele havia sido preso em 23 de fevereiro de 1974, quando tinha 26 anos, e era considerado desaparecido.

"Você quer documento para isso, meu Deus do céu? Documento é quando você casa, quando você se divorcia. Eles têm documento dizendo o contrário?” relativizou Bolsonaro.

No dia anterior, segunda-feira, Bolsonaro afirmou que o pai do presidente da OAB era membro do grupo Ação Popular, classificado pelo presidente da República como "sanguinário", que poderia contar a Felipe Santa Cruz como o pai desapareceu e que ele não gostaria de ouvir a suposta verdade sobre o caso.

A declaração foi feita quando Bolsonaro criticava a OAB, que sob seu ponto de vista impediu a quebra do sigilo telefônico do advogado de Adélio Bispo, autor da facada que quase o matou durante a campanha eleitoral de 2018. Tanto a Ordem dos Advogados quanto a própria Polícia Federal negaram que tenha sido pedida uma liminar pela OAB para impedir o acesso.

Em resposta à declaração de Bolsonaro, o presidente da OAB anunciou que irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o presidente da República esclareça as afirmações sobre o desaparecimento de seu pai. Santa Cruz afirmou que os comentários de Bolsonaro são "inqualificáveis" e que demonstram "mais uma vez traços de caráter graves em um governante: a crueldade e a falta de empatia".


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