• Carlos Guglielmeli

Dirigentes do PSL em São Paulo vão à justiça contra Eduardo Bolsonaro


A possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro pode deixar o PSL pode e deve ter a ver com a resistência que seu grupo político tem enfrentado para controlar o partido nos Estados.

Em São Paulo, dirigentes regionais foram à Justiça para reverter atos baixados pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que assumiu o comando estadual da sigla em junho passado. No Rio, o senador Flávio Bolsonaro teve de voltar atrás na decisão de expulsar os filiados que mantêm no governo de Wilson Witzel (PSC) com quem rompeu pelas críticas ao governo federal.

Eduardo determinou até agora o afastamento dos presidentes de 73 dos 280 diretórios do PSL em São Paulo, destes pelo menos dez já conseguiram brecar na Justiça a sua substituição. Para justificar seu ato, o filho do presidente alegou irregularidades como ausência de prestação de contas, dupla filiação ou mesmo casos de condenação por estelionato.

Os dirigentes regionais da sigla chegaram a criar um grupo de WhatsApp para compartilhar modelos de petições enviadas aos tribunais, bem como cópia das prestações de contas entregues por cada um. Também circula entre o grupo uma sugestão de carta endereçada ao presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, pedindo a volta do senador Major Olímpio à presidência do partido no Estado.

"Não quero voltar à direção do partido, mas não me omito em assistir calado a destruição do partido no Estado", disse Olímpio.

O Rio também é palco de resistência a Bolsonaro. No mês passado, Flávio determinou a saída do PSL da base do governo Witzel e ameaçou expulsar os filiados com cargos na administração. Diante da oposição de deputados, teve de rever sua posição.

Formalmente, o PSL deixou a base de apoio do governador fluminense, mas delegou aos filiados a possibilidade de decidir se mantêm seus indicados em postos do governo.

Atualmente, indicados do PSL ocupam 40 cargos na administração estadual, incluindo duas secretarias. "A fusão do PSL com o bolsonarismo misturou o que cada grupo tinha de pior: a bagunça do primeiro com o autoritarismo do segundo", afirmou Paulo Gontijo, presidente do movimento Livres e líder destituído do diretório estadual do PSL no Rio.


Publicidade

1/3
Bolsonaro_oferece_cloroquina_à_uma_Ema_
Precisa explicar?
Curta nossa Fampage.png