• Carlos Guglielmeli

Risco país cai ao menor nível desde 2013


Foto: FinanceOne

Medido pelo Credit Default Swap (CDS), um título que classifica e protege investidores contra calotes de dívidas soberanas, o risco Brasil registrou nova queda e está em 117,15 pontos.

Esse é o menor nível registrado desde maio de 10 de maio de 2013, quando o valor registrado foi de 111,179, e só não é um indicador definitivo de recuperação da economia nacional porque outros ativos brasileiros, principalmente o valor do dólar e a Bolsa, não estão acompanhando o movimento de melhora de percepção dos investidores sobre o País.

Gestores e economistas ouvidos pelo Estadão avaliam que este resultado mostra que os investidores estão projetando pela frente um cenário doméstico melhor, mas no momento, ainda permanecem cautelosos e não devem investir em ativos locais sem que haja avanço nas outras reformas e um maior crescimento econômico.

Normalmente o Ibovespa, o dólar e o CDS fazem movimentos correlatos, sendo que risco país e câmbio costumam caminhar na mesma direção, mas desde o segundo semestre de 2018 as linhas de ambos passaram a divergir no Brasil.

Colunas de economia já divulgaram previsões de que, com o CDS na casa dos 120 pontos, como agora, o dólar deveria estar em torno de R$ 3,60. Mas a moeda está em R$ 4,10 e a especialista é a que não deve cair para abaixo de R$ 4 tão cedo.

Para o mercado de ações, a avaliação é que, com esse nível de CDS, o Ibovespa deveria estar acima da atual pontuação, que tem estado entre 103 mil e 104 mil pontos nos últimos sete pregões.

Em avaliação pública, o Bradesco calcula que o Brasil perdeu cerca de US$ 50 bilhões só nos últimos meses de recursos externos.

Segundo os economistas do banco, três fatores têm contribuído para este resultado, a redução do diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, que pode diminuir ainda mais esta semana, deixando o país menos atrativo para os estrangeiros, a troca de dívidas externas por dívidas em Real, por parte das empresas que captam recursos no mercado brasileiro em melhores condições e a falta do “grau de investimento” que impede determinados investidores de aportar dinheiro no país.

Para o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, o que falta para o estrangeiro entrar no país é crescimento econômico. "O Brasil não tem PIB para mostrar ao investidor estrangeiro", afirma.


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