• Carlos Guglielmeli

Caiado assina reestruturação da UEG e afasta Valparaíso e Entorno do sonho de ter uma Universidade p


Foto: G1

O governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado, e o reitor da UEG (Universidade Estadual de Goiás), Rafael Gonçalves Santana Borges, apresentaram nesta sexta-feira a reforma administrativa pela qual a entidade será submetida.

Entre a medidas mais importantes está a redução de 41 para 8 Campus e a diminuição do Conselho Superior Universitário(CSU) de 72 para 42 membros.

Além do corte na casa dos R$ 100 milhões no orçamento da UEG, possível após a aprovação da “reforma da educação” proposta pelo governo Caiado e referendada na Alego (Assembleia Legislativa de Goiás) por seus aliados, a reitoria da entidade anuncia que a nova estrutura deve gerar mais uma economia de R$ 1.2 milhão por ano.

Na teoria, não haveriam prejuízos aos alunos dos Campus extintos e transformados em Unidades Universitárias vinculadas aos oito remanescentes, que passam a ser algo parecido com centrais administrativas, mas há na estrutura quem discorde disso e veja aí o atraso ou até a interrupção no aumento é na democratização na oferta de vagas em todo o estado.

Não tenho dúvidas que muitos Campus existiam de maneira precária, com uma estrutura abaixo do necessário para serem considerados como tal, mas elas estavam lá, como um alerta para que a entidade voltasse o seu olhar às comunidade onde estavam inseridas. Com essas mudanças, pronto, fica cômodo para a reitoria e para o governo, não há mais pressão para construir um prédio próprio, aumentar o número de cursos e vagas, por exemplo”, disse a professora “Bernadete”, nome fictício utilizado para evitar retaliações.

Para a deputada estadual Lêda Borges (PSDB), que é residente em Valparaíso de Goiás, cidade cuja a unidade de ensino não foi relacionada no organograma divulgado pela Universidade, “o governo Caiado precisa deslanchar e parar de perseguir o legado dos governos do PSDB, do qual a UEG, que é um patrimônio dos goianos, sempre fará parte, a não ser que ele consiga destruí-la, como está fazendo”.

Já o ex-governador Marconi Perillo, fundador da UEG em 16 de abril de 1999 pelo decreto de Lei 13456, criticou numa nota o que classificou de “nefasto e drástico corte de financiamento e autonomia da UEG”:

Os efeitos nefastos do corte drástico do financiamento e a destruição da autonomia da UEG afetam milhares de goianos e suas famílias e repercutirão por gerações”, disse Marconi.

Veja a íntegra da nota emitida por Marconi Perillo a respeito das mudanças impostas na UEG:

Acerca das declarações do atual reitor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), é necessário restabelecer a verdade, observando que:

Desde sua criação, em 1999, a UEG passou por um processo contínuo de autonomia, com a gradativa transferência das decisões da gestão para a direção, os professores e toda a comunidade universitária. A gestão democrática definiu a oferta de cursos, permanente e temporária, de acordo com a demanda de cada câmpus da instituição.

A abertura de novos cursos e campus sempre se deu de acordo com a realidade econômico-financeira da UEG, levando em conta a demanda acadêmica, a realidade orçamentária e a disponibilidade de professores e servidores técnico-administrativos em cada região. Os cursos de graduação, pós-graduação e de ensino a distância sempre foram definidos com base nesses critérios, conciliando as disponibilidades financeiras e a demanda dos estudantes.

A autonomia da UEG, conquistada e construída por professores e alunos com respaldo das comunidades, foi completamente destruída pelo atual governo. A reitoria e o governo de agora usurparam a gestão da universidade, transferindo-a para o gabinete do reitor e do governador, calando a comunidade acadêmica e excluindo-a de toda a qualquer decisão.

O governo Ronaldo Caiado (DEM) inviabilizou a gestão da UEG já nos primeiros dias de 2019, reduzindo o orçamento da instituição em quase R$ 100 milhões no ano passado, o equivalente a um terço (33%) do valor executado em 2018, que totalizou R$ 300 milhões. O corte afetou todas as áreas, em todos os campus.

O resultado é que a UEG está entregue à própria sorte e a comunidade acadêmica foi abandonada. Cursos são encerrados sem prévio aviso e professores e servidores são demitidos de forma aleatória e sem qualquer estudo sobre o impacto de seus desligamentos sobre a vida acadêmica dos estudantes.

A educação geradora de oportunidades e promotora da emancipação cidadã implantada em Goiás no decorrer dos últimos 20 anos foi transformada em negócio e mercadoria descartável pelo atual governo. Alunos e professores são tratados como números e usados na insana e obcecada estratégia de destruição do legado das gestões do PSDB.

Os efeitos nefastos do corte drástico do financiamento e a destruição da autonomia da UEG afetam milhares de goianos e suas famílias e repercutirão por gerações.

Goiânia, 18 de janeiro de 2020 Assessoria de Imprensa do ex-governador Marconi Perillo


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