• Carlos Guglielmeli

Ataque de Bolsonaro gera onda de ameaças físicas a jornalistas

"Presidente Jair Bolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?"


Essa pergunta, que tem base em elementos de uma investigação conduzida por órgãos de estado, como o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, recebeu do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, uma resposta que foi entendida por seus seguidores como um sinal da estratégia de defesa da primeira dama Michelle Bolsonaro e dele próprio.


"Minha vontade é encher a tua boca com uma porrada, tá?", respondeu o chefe do poder executivo nacional.


Logo após o fato, as redes sociais foram tomadas por reproduções da pergunta, que não deixa de ser pertinente devido aos elementos levantados pela investigação, e da resposta que, por outro lado, não deixa de ser delituoso.


No Twitter, no Facebook e no Instagram, apoiadores de Bolsonaro têm usado a frase do presidente como incentivo para agressões, em uma retórica que passa dos tradicionais ataques verbais para ameaças concretas de violência física.


As demonstrações de apoio ao presidente dizem, por exemplo, que "jornalistas merecem tomar porrada na boca" e que Bolsonaro "só errou em não agredir de fato o repórter".


Abafar o caso, calar a imprensa com ameaças, segundo especialistas ouvidos pela BBC, sugere uma "deterioração do ambiente institucional do Brasil, o que pode resultar em uma escalada na violência bolsonarista contra a imprensa tradicional". Mas para eles a postura do presidente não surpreende.


No parlamento, a reação foi imediata, o presidente da Câmara Federal voltou a ser cobrado sobre a análise dos processos de Impeachment contra Jair Bolsonaro, porém Rodrigo Maia disse que o fato atual não se relaciona aos mais de 40 processos existentes, os quais ele já se manifestou desfavorável.


"Claro que isso [a fala do presidente] não é bom. Não cabe uma reação desproporcional como a do presidente ontem. As nossas liberdades individuais, de imprensa, religiosa, têm um papel fundamental em qualquer sociedade. Uma frase com esse impacto vindo do presidente gera um impacto muito negativo, internamente e externamente" disse Maia.
Publicidade

1/2
Mortos X Curados.png
Precisa explicar?
Curta nossa Fampage.png