• Carlos Guglielmeli

Biden recebe dossiê com recomendação para suspender acordos entre EUA e governo Bolsonaro

Quatro meses após criticar publicamente o desmatamento no Brasil, o presidente Joe Biden e membros do alto escalão do novo governo dos EUA receberam nesta semana um dossiê de 30 páginas que pede o congelamento de acordos, negociações e alianças políticas com o Brasil, enquanto Jair Bolsonaro estiver na Presidência.


O documento surge no momento de tensão sobre o futuro da relação entre os dois países, causada pelo posicionamento pouco diplomático do governo Bolsonaro / Foto: Pool - Getty Images

O documento ao qual a BBC News Brasil teve acesso, condena a aproximação entre os dois países nos últimos dois anos e aponta que a aliança entre Donald Trump e seu par brasileiro teria colocado em xeque o papel de "Washington como um parceiro confiável na luta pela proteção e expansão da democracia".


"A relação especialmente próxima entre os dois presidentes foi um fator central na legitimação de Bolsonaro e suas tendências autoritárias", diz parte do texto.


O documento é direto ao recomendar que Biden restrinja importações de madeira, soja e carne do Brasil, "a menos que se possa confirmar que as importações não estão vinculadas ao desmatamento ou abusos dos direitos humanos", por meio de ordem executiva ou via Congresso.


A mudança na Casa Branca foi o que deu abertura para a elaboração do dossiê, escrito por professores de dez universidades, 9 delas norte-americanas, além de diretores de ONGs internacionais como Greenpeace EUA e Amazon Watch, esses últimos duramente atacados pelo próprio presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores.


Segundo a BBC News Brasil, os gabinetes de pelo menos dois parlamentares próximos a Biden, o da deputada Susan Wild, do comitê de Relações Internacionais, e de Raul Grijalva, presidente do comitê de Recursos Naturais, revisaram o documento antes do envio.


O texto ainda têm o endosso de mais de 100 acadêmicos de universidades como Harvard, Brown e Columbia, além de organizações como a Friends of the Earth, nos EUA, e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), no Brasil. A iniciativa é da U.S. Network for Democracy in Brazil, uma rede criada por acadêmicos e ativistas brasileiros no exterior há dois anos que hoje conta com 1500 membros.


Tanto Biden quanto a vice-presidente Kamala Harris, além de ministros e diretores de diferentes áreas do novo governo, já criticaram abertamente o presidente brasileiro, que desde a derrota de Trump na última eleição assiste a um derretimento em negociações em andamento entre os dois países.


Organizado em 10 grandes eixos: democracia e estado democrático de direito; direitos indígenas, mudanças climáticas e desmatamento; economia política; base de Alcântara e apoio militar dos EUA; direitos humanos; violência policial; saúde pública; coronavírus; liberdade religiosa e trabalho, o dossiê não faz rodeios nas indicações contra o relacionamento com o Brasil:


"O governo Biden-Harris não deve de forma nenhuma buscar um acordo de livre-comércio com o Brasil", frisa o documento.
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