• Carlos Guglielmeli

Bolsonaro ignora que testes da Covid estão encalhados no Ministério e culpa governadores e prefeitos


Imagem: Reprodução / Estadão

Nesta segunda-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que são governadores e prefeitos, e não o governo federal, quem deve explicações sobre os 6,86 milhões de testes para o diagnóstico do novo coronavírus que estão "encalhados", quase vencendo.


O Estadão revelou no dia anterior que os 96% dos 7,1 milhões de exames comprados pelo Ministério da Saúde perdem a validade entre dezembro e janeiro próximos e podem acabar no lixo.


Cobrado sobre o assunto nas redes sociais, o presidente jogou a culpa em Estados e municípios:


"Todo o material foi enviado para Estados e municípios. Se algum Estado/Município não utilizou deve apresentar seus motivos (sic.)", disse Bolsonaro a uma apoiadora que o questionou nas redes sociais se a informação procedia.


Não é verdade, o estoque que pode ser inutilizado e é maior do que os 5 milhões de testes PCR (considerado "padrão ouro" para detectar o vírus) já realizados pelo SUS desde o início da pandemia está em armazém do ministério, ou seja, não foram enviados ao SUS, portanto não estão sob responsabilidade dos estados e municípios como disse o presidente.


As evidências de falhas de planejamento e logística no setor ocorrem num período de aumento dos casos no País.


Considerado um dos exames mais eficazes para diagnosticar a Covid-19, a coleta do RT-PCR é feita por meio de um cotonete aplicado na região nasal e faríngea (a região da garganta logo atrás do nariz e da boca) do paciente. Na rede privada, o exame custa de R$ 290 a R$ 400.


Diante da denúncia, o Ministério da Saúde afirmou que já pediu estudos de estabilidade ao fabricante do teste para, na sequência, solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a prorrogação da validade do produto.

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