• Carlos Guglielmeli

Bolsonaro sabotou combate à pandemia, diz a Human Rights Watch

A organização internacional de direitos humanos, Human Rights Watch (HRW), afirmou nesta quarta-feira (13) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem procurado sabotar as iniciativas para desacelerar a propagação da Covid-19 no Brasil e seguiu políticas que prejudicam os direitos da população.


Segundo a entidade, as instituições democráticas tiveram que entrar em cena para proteger os brasileiros e impedir algumas medidas mais prejudiciais à sociedade durante os dois primeiros anos do mandato de Bolsonaro.


Bolsonaro minimizou a pandemia, disseminou informações falsas e, por isso, contribuiu para as mais de 200 mil mortes causadas pela Covid-19 no Brasil, diz a HRW / Foto: Agence France Presse

As afirmações foram feitas pela seção brasileira do grupo de direitos humanos da HRW em seu relatório mundial anual.


"O Supremo Tribunal Federal impediu as tentativas de Bolsonaro de retirar dos Estados a autoridade de implementar medidas restritivas para conter o segundo surto mais mortal do coronavírus no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos", afirmou a entidade em um trecho do documento.


Para a Human Rights Watch, Bolsonaro minimizou a gravidade da Covid-19, chamando a doença de "gripezinha" e criticou os lockdowns e medidas de distanciamento social. A HRW também diz que o presidente disseminou informações enganosas sobre o vírus.


Além de negligenciar a pandemia, Bolsonaro tem debilitado os direitos das mulheres, atacado jornalistas e grupos da sociedade civil, estigmatizado e intimidado a mídia independente do país, afirmou a HRW.


"O Supremo Tribunal Federal e outras instituições se empenharam para proteger os brasileiros e para barrar muitas, embora não todas, as políticas antidireitos de Bolsonaro. Essas instituições precisam permanecer vigilantes", disse Anna Lívia Arida, diretora-associada da HRW Brasil.


A questão ambiental também entrou negativamente para Bolsonaro no relatório distribuído ao mundo inteiro. No documento a organização disse que o enfraquecimento da fiscalização permitiu o aumento do desmatamento ilegal na Amazônia, que chegou ao seu maior nível em 12 anos. O número de focos de incêndios, muitos deles iniciados ilegalmente para liberar terra para agropecuária na Amazônia, cresceu 16%, afirmou a Human Rights.


"As políticas do presidente Bolsonaro têm sido um desastre para a floresta amazônica e para as pessoas que a defendem. Ele culpa indígenas, organizações não governamentais e moradores pela destruição ambiental, em vez de agir contra as redes criminosas que impulsionam a ilegalidade na Amazônia", acrescentou Anna Livia.
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