• Carlos Guglielmeli

“Brasil depende de sua população para não repetir a Itália” diz infectologista

A adesão à medidas simples como lavar as mãos e tossir ou espirrar protegendo as pessoas em volta, podem diminuir a disseminação do coronavírus, diz o infectologista Stefan Cunha Ujvari, do Hospital alemão Oswaldo Cruz.

Foto: Reprodução Hospital Oswaldo Cruz / Conteúdo do Estadão, com adaptações

Segundo Stefan, ainda no início da epidemia do Covid-19, o Brasil depende do engajamento da sua população para evitar que o país repita a situação vivenciada pela Itália, onde proporcionalmente se contabiliza o maior número casos de infecção e mortes.


Na prática, o Ministério da Saúde Brasileiro já vinha encarando o coronavírus com medidas previstas nos protocolos de pandemia, monitorando as pessoas que entravam no país vindos das áreas afetadas, além disso, essa é uma epidemia em tempo real, onde acompanhamos a evolução da doença em todos os países a todo instante. "Isso pode facilitar muito", disse o especialista


Perguntado pelo Estadão se essa epidemia é mais grave que a da gripe suína, ocorrida em 2009, Stefan respondeu:


"Sempre temos que colocar na balança os cuidados que devemos tomar, o alerta à população, mas também não podemos levar ao pânico. Isso, muitas vezes, é uma dificuldade. Já estamos vendo que o vírus não é extremamente letal a ponto de causar pânico. Ainda há alguma incongruência nos dados, mas quando esmiuçamos os números vemos que, na Coréia, a letalidade é de menos de 1%. Na Itália é maior, chega a 5%, mas a população idosa é muito maior. Então, precisamos informar isso: é um vírus que, em indivíduos mais jovens, de até 50 anos, tem uma letalidade inferior a 1%. Mas essa letalidade vai aumentando depois dessa idade, podendo chegar a 14% na faixa dos 80 anos. A letalidade é também mais alta entre os que têm doenças debilitantes."


Sobre em que estágio da epidemia o Brasil está, o epidemiologista reforçou:


A gente está bem no começo da ascensão. Se não adotarmos medidas de controle, vamos começar a ter uma ascensão importante. Tudo vai depender de saber se a população vai aderir às medidas profiláticas.


Stefan também falou ao Estadão que o tempo é de ter cuidado, de obedecer medidas preventivas, mas não de entrar em pânico:


Olha, temos que pensar que 80% dos casos são leves; outros 15% são mais graves e 5% são críticos. Esses casos mais graves estão concentrados entre os idosos e aqueles que têm outras doenças. Não há motivo de pânico, mas todos temos que tomar cuidado, inclusive os mais jovens, para não contribuir para o aumento dos casos e acabar atingindo a população mais vulnerável.


A respeito das medidas de isolamento, o especialista disse friamente que as autoridades precisam pôr na balança as perdas, os aspectos a serem considerados, segundo ele, não pode ser apenas a letalidade da doença, mas também os efeitos sociais e econômicos da medida.


Em sua fala, Stefan declarou que temos infinitos recursos a mais do que tínhamos a um século, quando houve a epidemia da gripe espanhola, mas que as contra informações também são presentes nas Fake News, o que pode atrapalhar em tempos de internet:


Veja como é o pânico, hoje faltam álcool gel e máscaras nas lojas; naquela época, começou a faltar limão, cachaça e alho, que as pessoas acreditavam que podia curar a doença. As fake news também são semelhantes: o governo está escondendo informações, está morrendo muito mais gente do que é revelado. A história é igualzinha.
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