• Carlos Guglielmeli

Brasil está na "vanguarda da estupidez mundial", diz médica infectologista barrada pelo governo

A médica Luana Araújo afirmou nesta quarta-feira (2) à CPI da Covid que nunca conversou com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre o tratamento precoce para a covid enquanto esteve na pasta. Ela chamou a discussão de "delirante, esdrúxula e contraproducente".


CPI da covid ouve médica imunologista Laura Araújo, escolhida pelo ministro da saúde, Marcelo Queiroga, para assumir a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, mas barrada pelo presidente Jair Bolsonaro / Foto: Waldemir Barreto - Agência Senado

Luana Araújo é Infectologista e havia sido convidada pelo ministro Queiroga para assumir a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, mas foi barrada, segundo informações, pelo presidente Bolsonaro devido sua posição contrária ao uso de medicamentos comprovadamente ineficientes contra a doença como a Cloroquina.


Para a médica, o Brasil ainda está na "vanguarda da estupidez" em vários aspectos no combate à pandemia, porque continua a discutir questões que não teriam "nenhum cabimento", como o uso de medicamentos sem eficácia comprovada. "Ainda estamos discutindo de qual borda da terra nós vamos pular", ironizou em referência a teoria terraplanista.


"Estamos discutindo algo que é um ponto pacificado para o mundo inteiro. É preciso que a gente aprenda com outros lugares", disse.


Em sua fala inicial, a médica alertou ser muito perigoso que o Brasil abra mão do intercâmbio de informações com outros países, cedendo "a mistura aflitiva de falta de informações, desespero e arrogância". "Pode ser letal", disse.


"Isso (tratamento precoce) não foi nenhuma discussão. Esse assunto nunca existiu entre nós. A nossa discussão é em outro nível", disse ela sobre a relação que teve com Queiroga durante a passagem pelo ministério.


A médica infectologista também disse na CPI que "qualquer pessoa", independente de cargo ou posição social, que defende métodos sem comprovação científica para o tratamento doenças, tem "responsabilidade sobre o que acontece depois". Luana também reforçou que a autonomia médica, apesar de fazer parte da prática, "não é licença para experimentação".


Ainda sobre a autonomia médica, preceito usado como argumento pelo Executivo para defesa do uso de fármacos comprovadamente ineficazes para o tratamento da covid-19, a infectologista afirmou que a autonomia, apesar de precisar ser defendida, necessita ser amparada com base em alguns pilares. "O pilar da plausibilidade teórica do uso daquela medicação, do volume de conhecimento científico acumulado até aquele momento sobre aquele assunto, no pilar da ética e no pilar da responsabilização" afirmou.


"Existe um aumento da mortalidade com o uso de cloroquina e hidroxicloroquina", afirmou a médica, citando estudos de análise realizados sobre o fármaco. "Quando a gente transforma isso numa decisão pessoal é uma coisa, quando você transforma isso numa política pública, é outra", declarou Luana

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