• Carlos Guglielmeli

Brasil ignorou 3 ofertas de vacinas da Pfizer desde maio de 2020, diz CEO da farmacêutica

Carlos Murillo, CEO da Pfizer na América Latina, demonstrou nesta quinta-feira (13) à CPI da Covid que o governo brasileiro ignorou três ofertas para aquisição de vacinas em agosto do ano passado, três meses depois que as negociações começaram (em maio).


Carlos Murillo, CEO da Pfizer, depõe na CPI da covid / Foto: Jefferson Rudy - Agência Senado

Se um dos acordos tivesse sido fechado à época, segundo o cronograma dos próprios contratos, o país teria recebido até o segundo trimestre de 2021 cerca de 18,5 milhões de doses. As primeiras remessas teriam chegado em dezembro do ano passado.

As tratativas para um acordo só começaram de fato em novembro, após a a farmacêutica procurar o governo brasileiro outras duas vezes naquele mês. A Pfizer chegou a protestar publicamente contra as dificuldades impostas pelo governo Bolsonaro ao afirmar publicamente que não pediria a autorização de uso emergencial à Anvisa (Agência Nacional Vigilância Sanitária).

Com os entraves do ministério, o acordo só foi efetivamente concretizado em março deste ano, um mês depois de a Anvisa aprovar o registro definitivo do imunizante. O desfecho ocorreu sob críticas ao trabalho do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, um dos motivos pelos quais ele acabou demitido.

O CEO também confirmou que, enquanto o governo ignorava as ofertas, a farmacêutica enviou uma carta endereçada a Bolsonaro e ministros de estado se colocando à disposição e pedindo rapidez nas negociações.

Esse é documento revelado pelo ex-secretário especial de comunicação do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, que mesmo com tantos endereçados como o próprio presidente e os ministros Pazuello, da saúde e Paulo Guedes, da Economia, ficou parado por dois meses.

"As primeiras reuniões sobre a possível vacina começaram no mês de maio de 2020", disse Carlos Murillo.

No total, desde maio foram cinco ofertas ao governo brasileiro, das quais as três primeiras, enviadas entre maio e agosto de 2020, foram completamente ignoradas, conforme o CEO. Elas disponibilizavam para comercialização 70 milhões de doses.

1ª proposta, feita em 14 de agosto de 2020:

500 mil doses ainda em 2020;

1,5 milhão de doses no 1º trimestre de 2021;

5 milhões de doses no 2º trimestre de 2021;

33 milhões de doses no 3º trimestre de 2021;

30 milhões de doses no 4º trimestre de 2021.



2ª proposta, feita em 18 de agosto de 2020:

1,5 milhão de doses ainda em 2020;

1,5 milhão de doses no 1º trimestre de 2021;

5 milhões de doses no 2º trimestre de 2021;

33 milhões de doses no 3º trimestre de 2021;

29 milhões de doses no 4º trimestre de 2021;


3ª proposta, feita em 26 de agosto de 2020:

1,5 milhão de doses para 2020;

3 milhões de doses para o 1º trimestre de 2021;

14 milhões de doses para o 2º trimestre de 2021;

26,5 milhões de doses para o 3º trimestre de 2021;

25 milhões de doses para o 4º trimestre de 2021.

Até o momento, o Brasil recebeu pouco mais de 2 milhões de doses de vacinas da Pfizer. Há mais 100 milhões que já foram compradas, mas só vão começar a chegar no Brasil em setembro.


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