• Carlos Guglielmeli

Brasil se une às ditaduras da Venezuela e da Coreia do Norte ao omitir dados completos da Covid-19

A decisão do governo Bolsonaro de omitir o balanço total de mortes causadas pela Covid-19 desde sábado (6), coloca o Brasil ao lado da Venezuela e da Coreia do Norte, dois países governados por ditaduras, na transparência das informações sobre a pandemia.


"Ocultar e manipular dados é estratégia de regimes autoritários que deve ser rechaçada com veemência", denunciou a organização Transparência Internacional.


O Site do Ministério da Saúde passou algumas horas fora do ar neste sábado e ao retornar, exibia apenas os números de contágios e mortes causadas pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, omitindo a contabilidade total da doença.


Em nota compartilhada por Bolsonaro, o ministério explicou que a mudança "permite acompanhar a realidade do país. Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnostica", afirma o texto, que argumenta ainda que a atraso na divulgação dos dados ­­- agora feita às 22h - é para "evitar subnotificação".


No dia anterior, o presidente da República postou em sua conta no Twitter que a mudança do horário da divulgação esvaziava a pauta do maior telejornal do país, o Jorna Nacional, da TV Globo.


As reações à modificação da publicação das estatísticas não demoraram, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento extrajudicial para apurar as razões da mudança. A pasta federal terá 72 horas para dar explicações.


Da Câmara dos deputados, o presidente Rodrigo Maia (DEM) chegou a cogitar que se a estratégia do governo federal se mantiver, o congresso pode assumir o papel de divulgar os dados com transparência.



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