• Carlos Guglielmeli

Descumprimento ou atraso nas promessas de Bolsonaro para combate à Covid-19 agrava a crise no Brasil

Para analistas, falta liderança, foco, tranquilidade e articulação política ao governo.



Boa parte das medidas anunciadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para combater a pandemia do novo coronavírus está travada há pelo menos 40 dias. A compra de 3,3 mil respiradores nacionais, a instalação de 2 mil leitos em UTIs, e a contratação de 6 mil médicos para hospitais universitários foram alguns dos compromissos assumidos pelo presidente entre março e abril que não saíram do papel.


Conforme um levantamento feito pelo Estadão, em pronunciamentos na TV e em publicações nas redes sociais, Bolsonaro prometeu 17 medidas de combate à pandemia entre março e abril, das quais 41% não foram cumpridas integralmente.


Dos 2.000 leitos de UTI prometidos pelo presidente em 20 de março na sua conta no Facebook, apenas 340 leitos avançados, de instalação rápida, foram entregues pelo Ministério da Saúde.


No mesmo prazo, os estados chegaram a 75% de ocupação média dos leitos de UTI e as mais de 1.600 unidades prometidas e não entregues pelo Governo Federal poderiam estar ajudando Amazonas, Ceará, Pará, Pernambuco e São Paulo a evitar mortes de pacientes com complicações causadas pelo Covid-19.


Em 21 de abril, quando o Brasil registrava 2.761óbitos causados pelo vírus, Bolsonaro prometeu enviar aos estados 3,3 mil respiradores, dos quais só 1.437 foram entregues.


A pasta federal de saúde possuía contrato de R$ 1 bilhão com uma empresa chinesa para compra de 15 mil respiradores, mas coincidentemente ou não, após as idas e vindas diplomáticas provocadas por declarações da família Bolsonaro contra a China, o fornecedor deu calote no Brasil e o país ficou dependente exclusivamente da produção nacional, que só consegue entregar os equipamentos em 90 dias, quando, segundo analistas, a pior parte da crise já vai ter passado e muitas vidas estarão perdidas por falta dos aparelhos.


Outro compromisso importante que não saiu completamente do papel foi a aquisição de testes. Bolsonaro prometeu a distribuição de 10 milhões de exames e até agora entregou 6,9 milhões, sendo 4,7 milhões de testes rápidos (sorológicos) e 2,1 de RT-PCR (biologia molecular), fazendo do país um dos que menos testou a sua população.


O Brasil é o segundo lugar entre as nações com mais casos de covid-19 no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e com a subnotificação, especialistas acreditam que o país deve ser o próximo epicentro mundial da pandemia.


A presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professora de epidemiologia do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Gulnar Azevedo avalia que "falta ao País um plano de integração e coordenação entre governo federal, Estados e municípios":


"A situação é grave. Não dá para esperar o que já deveria ter acontecido. O SUS tem capacidade para contratar profissionais e organizar leitos privados. Além da inexistência de um plano integrado, há uma lentidão em colocar em prática as ações. Não adianta receber o respirador em outubro, os leitos para daqui dois meses. Precisamos para hoje, mas não estamos conseguindo responder", declarou a professora.


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