• Carlos Guglielmeli

Médico deixa o governo e diz que troca do ministro da saúde será a derrota no combate ao Covid-19


Não quis ser responsável por essa recomendação equivocada contra o isolamento social e por um número importante de óbitos”.

Essas foram algumas das palavras usadas pelo ex-diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Dr. Júlio Croda, ao deixar o governo no fim de março.

Croda é infectologista, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De dentro do Ministério, o médico disse ter acompanhado a escalada da pressão feita pelo presidente Jair Bolsonaro, para que a pasta adotasse um discurso diferente, que diminuísse a importância do isolamento social.


Questionado pelo “ESTADÃO”, qual seria a consequência de uma mudança nesse discurso, como defende Bolsonaro, Júlio Corda disse:

Essa mudança (de discurso) já ocorreu. Discurso não unificado gerou a diminuição do isolamento. O que a gente vai ter, se o ministro (Luiz Henrique Mandetta) ficar ou não, é a consequência de uma orientação do presidente (Jair Bolsonaro). Muito difícil acreditar que só o ministro teria capacidade de reforçar a mensagem de isolamento”.

Para o infectologista, o Brasil vinha apresentando bons índices de isolamento, mas a média caiu para abaixo de 50%, segundo ele, por consequência do discurso anti-isolamento, capitaneado por Bolsonaro.

Nas últimas duas semanas, houve redução do isolamento. Esse embate sobre a questão do isolamento pode ter refletido. Acho que não é só o presidente da República. Ele representa um grupo de pessoas que pensam diferente. O futuro vai nos mostrar quem tinha razão nessa questão tão importante. Sabendo que conhecimento técnico é muito mais a favor do isolamento”, disse o especialista.
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