• Carlos Guglielmeli

STF e Congresso criticam Bolsonaro por discurso da "pólvora"


Foto: Reuters

Diante da ameaça do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, de aplicar sanções econômicas ao Brasil caso não haja atuação firme do Brasil para combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia, O presidente Jair Bolsonaro disse que uma solução apenas diplomática pode não ser possível.


"Assistimos há pouco aí um grande candidato a chefia de Estado dizer que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, não é, Ernesto (Araújo)?", introduziu o presidente.


Na sequência veio a polêmica:


"Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão, não funciona. Não precisa nem usar pólvora, mas tem que saber que tem", completou Bolsonaro.


O ataque em uma cerimônia no Palácio do Planalto que tinha na plateia empresários do turismo.


Otto Alencar, líder do PSD no Senado, afirmou que o presidente criou, mais uma vez, "atritos desnecessários" e deve ficar ainda mais isolado internacionalmente.


"Bolsonaro critica a vacina da China, o maior parceiro comercial do Brasil, e o presidente eleito dos Estados Unidos, o segundo maior parceiro. Vai ficar isolado. Desafiar outro país não é o que se espera de um estadista", disse Alencar.


Para Alencar, o Congresso não vai deixar de votar pautas importantes por causa de Bolsonaro. O senador admitiu, porém, que essas declarações do presidente provocam desgaste e, com isso, o Palácio do Planalto pode ter dificuldades para avançar em projetos fora da agenda econômica.


"Se é (uma pauta) do interesse apenas do Palácio do Planalto, e não do Brasil, como foi no projeto das armas e na indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada dos Estados Unidos, ele não tem maioria", observou o parlamentar.


Ministros do Supremo consideraram um "equívoco" a estratégia de Bolsonaro de aposentar o estilo "paz e amor" e adotar um tom mais agressivo, politizando ainda mais a discussão em torno da pandemia e da busca de uma vacina para combater o novo coronavírus. A briga expôs ainda mais a rivalidade entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).


Na avaliação de ministros do STF ouvidos pelo Estadão, mesmo a quatro dias das eleições municipais Bolsonaro está com a cabeça na disputa seguinte, de 2022, quando pretende concorrer à reeleição e não há "remédio" a curto prazo para mudar o comportamento dele.


Nos bastidores da Corte, a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que deu um prazo de 48 horas para a Anvisa apresentar informações sobre a suspensão dos testes clínicos da Coronavac, foi bastante comemorada.


A medida de Lewandowski foi vista por colegas como um instrumento eficaz de pressionar o governo Bolsonaro a resolver imediatamente o impasse em torno da vacina. Integrantes do STF também enxergaram na determinação do magistrado um recado, nas entrelinhas, de que o próprio Lewandowski poderia resolver individualmente a controvérsia, apesar da sinalização de que a decisão deve ficar com o plenário do tribunal.

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