Marconi Perillo quebra o silêncio e coloca Caiado em uma saia justa

 

Após uma série de acusações feitas pelo atual governador, Ronaldo Caiado (DEM), seu antecessor Marconi Perillo (PSDB) quebrou o silêncio por meio de uma nota divulgada na manhã desta quarta-feira (9), onde se limitou a falar de si próprio, porém fornecendo elementos para ser comparado diretamente com o democrata.

 

Marconi começou falando dos 174 meses nos quais foi governador de Goiás, onde pagou 178 folhas salariais em sua maioria adiantadas, mas nenhuma atrasada.

 

Como a constituição estadual determina o dia 10 do mês subsequente ao trabalhado para que se paguem os salários dos servidores, no dia 11 de janeiro Caiado estará atrasando sua primeira folha salarial.

 

O atual governador justifica esse atraso e a paralisia do seu governo de apenas 9 dias com um suposto déficit de R$ 3,4 bilhões, o que representaria 12,8% do orçamento estadual no ano, que é estimado em R$ 26,6 bilhões.

 

Sobre essa situação, Perillo lembrou o ano de 1999, quando assumiu o governo estadual com o equivalente a 3,6 orçamentos anuais, à época, em débitos, ou seja, 360% da sua capacidade financeira comprometida em dívidas e mesmo assim pagou todos os servidores em dia, chagando a abril deste ano com apenas 0,93% do orçamento comprometido.

 

Esse foi provavelmente o elemento de comparação mais constrangedor para Caiado, pois implicitamente Marconi sugeriu que com 12,8% do orçamento comprometido, o atual governador se diz incapaz de repetir o que ele, Perillo, fez à época, mesmo tendo um problema quase 30 vezes maior.

 

Marconi continua a nota falando sobre o crescimento do PIB estatual de R$ 17 para R$ 200 bilhões enquanto gerenciou Goiás, sobre o crescimento do IDEB goiano, que levou o estado para ao 1º lugar nacional no ensino médio, entre outros assuntos.

 

Leia abaixo a nota na íntegra:

 

O compromisso de nossos governos com o funcionalismo público estadual é parte incontestável e inseparável do legado que entregamos a Goiás em quatro mandatos. Em 174 meses como governador, paguei 178 folhas e 46 folhas de 13º salário, sempre rigorosamente em dia, antecipadamente durante quase todo o tempo em que fui governador.

 

Recebi por duas vezes a administração de antecessores com folhas e 13º salário atrasados. Nas duas ocasiões fomos à luta e ao trabalho para regularizar os pagamentos, porque sempre entendemos que os servidores pertencem ao Estado e não a governos.

 

O pagamento em dia dos salários se deu junto a conquistas importantíssimas, defendidas pelos servidores, como a instituição do pagamento do 13.º salário no mês do aniversário dos servidores. Conquistas reconhecidas e aprovadas funcionalismo e pelo conjunto dos goianos.

 

Na área fiscal, também recebi a administração de antecessores com grandes desafios a serem superados. Em 1999, o Governo de Goiás apresentava a pior relação dívida/receita do país. Eram necessários 3,6 orçamentos anuais para se pagar a dívida do Estado junto ao Tesouro Nacional. Entreguei o governo em 7 de abril de 2018 com comprometimento de 0,93, ou seja, menos de uma receita anual. Esta é, com certeza, uma das melhores trajetórias de redução de dívida consolidada do País.

 

O Programa de Ajuste Fiscal de 2017 foi rigorosamente cumprido, como pode se verificar junto ao Tesouro Nacional — todas as metas do ajuste anual foram cumpridas. Isso garantiu a Goiás segundo melhor desempenho fiscal do País no ano passado, perdendo apenas para São Paulo. Também em 2017, o superávit fiscal do Governo de Goiás foi superior a R$ 600 milhões.

 

Durante meus mandatos, todas obrigações fiscais e financeiras foram cumpridas. O PIB saltou de R$ 17 bilhões para previsão superior a R$ 200 bilhões para este ano.

 

Na Educação, Goiás conquistou o 1º lugar na Prova Brasil e o 1º lugar no IDEB. A Universidade Estadual de Goiás (UFG), criada em nossos governos, formou 100 mil brasileiros e a Bolsa Universitária garantiu o acesso ao ensino superior para 200 mil goianos. Segundo estudo do Instituto Insper, os investimentos em saúde, educação e na área social foram fundamentais para que o Estado experimentasse, entre 2001 e 2010, a maior redução proporcional do país da desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres.

 

Fizemos governos acessíveis e transparentes, marcados pela qualidade do atendimento. A Rede Vapt Vupt revolucionou a prestação de serviços públicos e a cidadania, reunindo e simplificando a oferta de serviços. Os avanços de Goiás na promoção da transparência são cristalinos e reconhecidos pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que credenciaram o Estado com o 1º e 2º lugares no ranking nacional de eficiência na aplicação da Lei de Acesso à Informação (LAI).

 

Fizemos esse conjunto de investimentos em sintonia com medidas permanentes de austeridade que mantiveram o Estado em equilíbrio fiscal. A qualidade das contas públicas é um desafio nacional, que terá de ser enfrentado pelo Brasil com mudanças estruturais duras, definitivas e antipopulistas.

 

Por fim, reitero o alerta de que o gravíssimo problema a ser enfrentado pelo Governo Federal e pelos Governos Estaduais é o crescente déficit previdenciário. Em Goiás, apesar das medidas que adotamos, tais como a criação da Previdência Complementar e a instituição de cobrança de 14,25% da cota patrão e servidores, o déficit previdenciário em 2018 será de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

 

Sem uma reforma previdenciária que resulte em ajustes indispensáveis e imediatos, teremos desequilíbrios fiscais insanáveis no curtíssimo prazo.

 

Marconi Perillo

 

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