Bolsonaro volta contestar dados sobre desmatamento na Amazônia e admite que notícia é ruim para o Brasil

01/08/2019

 

Em uma coletiva à imprensa, realizada nesta quinta-feira (1), onde também estavam os ministros de relações exteriores, Ernesto Araújo, do gabinete de segurança institucional, Augusto Heleno e do meio ambiente, Ricardo Salles, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a contestar os dados divulgados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e criticar a divulgação das informações sobre o desmatamento na Floresta Amazônica.

 

O INPE é um órgão vinculado ao Ministério de Ciências e Tecnologia, responsável por exemplo, pelo monitoramento da Floresta, que recentemente divulgou um aumento no seu desmatamento de 88%, comparando o mês de junho deste ano, com o mesmo período em 2018.

 

A notícia não pegou bem internacionalmente e pode azedar acordos comerciais com países ou blocos que endurecem e podem evitar negociações com países “displicentes” nas questões ambientais.

 

"Não quero afirmar, mas uma notícia como essa [sobre o crescimento do desmatamento na Amazônia], que não condiz com a verdade, tem um estrago muito grande na imagem do Brasil, parece que tem gente interessada nisso, que não é a imprensa, porque o dado saiu lá de dentro [do Inpe], dos órgãos nossos" acusou Bolsonaro.

 

Mais adiante o presidente chegou a admitir que tem uma imagem ruim no exterior e que essas informações contribuem para isso: “A fama do Brasil e a minha é péssima lá fora, tendo em vista os rótulos que foram colocados”, disse ele.

 

O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, apresentou à imprensa supostas falhas no Deter, sistema de monitoramento por meio de amostras de imagens, utilizado pelo INPE, que teriam contabilizado dados de meses anteriores em junho, o que comprometeria o resultado. Salles também alega que podem ter havido sobreposição de áreas desmatadas, mas não apresentou qual teria sido o real porcentual de aumento no desmatamento correto.

 

Sales informou que o governo pretende, via Ibama, lançar uma licitação para contratar um outro sistema de monitoramento com imagens de alta resolução para detalhar áreas desmatadas.

 

A esse respeito, o Observatório Clima Tempo, entidade composta por ONGs que trabalham no combate às mudanças climáticas do planeta, fez um comunicado em que afirma manter os sistemas Deter e Prodes, responsáveis por resultados semelhantes aos do Inep, disponibilizados diariamente na plataforma TerraBrasilis”.

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