Deputado denuncia o que pode estar por trás da pressa do governo Caiado em privatizar parte da Saneago

31/10/2019

 

Durante a sessão extraordinária da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), realizada nesta última terça-feira (29), o deputado Antônio Gomide (PT) levantou uma teoria grave sobre a possível motivação do governador Ronaldo Caiado para privatizar parte da Saneago de maneira tão apressada, “a toque de caixa” como disse o deputado Alisson Lima (Republicanos).

 

Governador, se o senhor não renovar primeiro os contratos, que são contratos de concessão, que os titulares são os municípios, nós não vemos, nessa Lei, nada que beneficie a Saneago, só beneficia quem comprar as ações baratinhas” afirmou Gomide que completou perguntando, “Então isso é um jogo?”.

 

Segundo o deputado anapolino, cerca de 70 dos 220 municípios atendidos pela Saneago, entre eles os dois maiores arrecadadores para a empresa de saneamento, Goiânia e Anápolis, estão com seus contratos vencidos ou próximos de vencer, o que desvalorizaria a empresa.

 

A tese de Antônio Gomide é que, sem os contratos, principalmente os com Goiânia e Anápolis, renovados, a venda das ações da Saneago agora aconteceria pelo valor mínimo e após o firmamento desses acordos, os papeis da Estatal se valorizariam muito, gerando um grande lucro para os investidores em detrimento de um grande prejuízo para a empresa goiana.

 

Se nós vamos vender as ações, Goiânia é fundamental para a Saneago, cidade de Anápolis é fundamental para a Saneago, são as duas maiores arrecadadoras para a Saneago. Goiânia e Anápolis já estarão com o contrato vencido em 2023. (A renovação do contrato) já está em discussão a mais de 5 anos, tanto Goiânia quanto Anápolis, e vence em 2023” disse o deputado que na sequência denuncia a grave suspeita.

 

 “Eu pergunto: Qual é o jogo do governo? É vender as ações baratas porque não renovou o contrato com as cidades maiores, ou é vender baratinho para depois renovar e quem comprou ter as ações valorizadas?

 

Em um aparte, o deputado Alisson Lima (Republicanos) ironizou e pôs mais lenha na fogueira, “Goiás está na vanguarda de querer privatizar a Saneago, (...) Nenhum outro estado no Brasil está tentando de maneira tão abrupta um projeto como esse. São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, nas estatais do nordeste, está tudo sendo feito com muita cautela, audiências sendo feitas com debates qualificados, coisas que não estamos vendo aqui. Da noite para o dia colocaram aqui um projeto que até tem parecer do líder do governo favorável”.

 

Tanto o deputado Antônio Gomide, quanto a deputada Lêda Borges (PSDB) apresentaram emendas na tentativa de reverter parte dos riscos que a Saneago corre com esse projeto de privatização, segundo eles.

 

Na proposta da valparaisense, a privatização seria de 25% e não os 49% propostos pelo governo, o que para a deputada colocaria em risco o controle acionário do estado sobre a empresa, e determinava que 100% do valor arrecadado com a venda fosse aplicado em obras de saneamento, mas a base aliada do governador Caiado rejeitou as mudanças.

 

Aprovado na CCJ, agora esse projeto segue para votação definitiva em plenário, não cabendo mais correções depois disso.

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