Deputados do PSL, eleitos na onda Bolsonarista da renovação, gastam verba com empresas fantasmas

04/11/2019

 

Um levantamento feito pelo “Estadão” mostra que 20 dos 53 deputados do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, gastaram dinheiro das verbas de seus gabinetes contratando empresas, aparentemente, fantasmas.

 

Eleitos com o discurso de mudança, os deputados bolsonaristas contrataram empresas gráficas e de consultoria que, dão indícios de serem fantasmas, pois não são encontradas nos endereços indicados em suas notas fiscais.

 

Alguns dos representantes dessas empresas já confessaram não lembrar dos deputados que os teriam contratado e em alguns casos confirmaram não ter prestado os referidos serviços.

 

O dono da Look Estratégias e Marketing, Rafael Magalhães admitiu à reportagem do Estado que sua empresa não funciona no endereço indicado nas notas fiscais utilizadas por três deputados do PSL, uma loja num Shopping de Taguatinga, além disso ele não soube informar o verdadeiro endereço no próprio negócio.

 

A Look recebeu R$ 45 mil do deputado Felipe Francischini, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, R$ 12,5 mil do deputado Fábio Schiochet (SC) e R$ 4 mil de Nereu Crispim (RS) para fornecimento de serviços não comprovados.

 

No endereço da Total Gráfica Editora funciona um salão de beleza, onde nas imediações o Estado localizou um mecânico, tio do dono da empresa. Conforme o Sr. Adail Pereira Alves, a firma do sobrinho deixou de funcionar ainda em 2018 quando ele desapareceu após a falência de uma de suas empresas. “Na época ele sumiu. Para achar ele é difícil, ninguém encontra. Zicou tudo”, lamenta o parente.

 

O deputado de primeiro mandato, Professor Joziel (RJ) gastou R$ 41 mil de verbas públicas com impressão de jornais na Total Gráfica recentemente, nas notas não tem nem o número de impressões e não inclui o transporte do material para o Rio de Janeiro. Sobre isso, apesar de ter verba para envio desse material via Correios, o que iria gerar códigos rastreadores, além do registro de volume e peso, o parlamentar disse que os exemplares foram para seu estado aos poucos, nas bagagens de mão dos seus assessores.

 

Aline Sleutjes, deputada federal eleita pelo PSL do Paraná, contratou uma consultoria de Marketing na cidade satélite de Brasília, Samambaia. A contratada, Prisma Comércio e Serviços, recebeu R$ 14 mil de verbas públicas e seu dono, João Alexandrino Vasco, informou não se lembrar da deputada.

 

São várias atividades de prestação de serviço. A especialidade é prestação de serviço de limpeza, conservação, auxílio a mídias. Não conheço nenhuma Aline”, disse o empresário.

 

Os deputados Julian Lemos (PB) e Heitor Freire (CE) contrataram a gráfica MaxPel+Car cujo no seu endereço funciona uma lava Jato. O dono da empresa, Lucas Nogueira de 21 anos, disse que está desempregado, que não conhece os deputados e pediu para a reportagem procurar seu pai, Alexei Maxuel, proprietário do empreendimento localizado no lugar da Gráfica.

 

Em sua publicação, o Estadão ainda menciona os outros deputados, que na maioria transferem a responsabilidade das contratações para os servidores de seus gabinetes, porém o advogado Saulo Stefanone Alle, especialista em direito público, disse que os contratos são de responsabilidade dos parlamentares.

 

A lei é clara. Todo aquele que contrata utilizando dinheiro público deve demonstrar como e por que escolheu o fornecedor. Deve reunir documentos que demonstrem a idoneidade do fornecedor”, afirmou o jurista.

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